A empatia é a capacidade de compreender genuinamente a experiência do outro, de se colocar em seu lugar sem julgamento e de agir a partir dessa compreensão. O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria, com ampla expertise na área e fundador do projeto social Humaniza Sertão, coloca a empatia como valor central de sua prática e do projeto que lidera. Afinal, no cuidado ao idoso, ela é uma habilidade clínica tanto quanto humana, com impacto direto sobre a qualidade do atendimento e sobre os resultados do tratamento. Ao longo deste artigo, você vai entender por que a empatia transforma o cuidado ao idoso e como praticá-la no cotidiano. Acompanhe.
O que significa colocar o idoso no centro do cuidado?
Colocar o idoso no centro do cuidado significa orientar cada decisão clínica e cada interação a partir de suas necessidades, seus valores e suas preferências. É o oposto de um modelo de cuidado padronizado que trata todos os pacientes da mesma forma, independentemente de suas histórias e de seus contextos. De forma que esse centramento no paciente produz um cuidado mais preciso, mais eficaz e mais respeitoso.
Yuri Silva Portela elucida que a empatia no cuidado geriátrico começa pela curiosidade genuína sobre quem é o paciente além de seu diagnóstico. Isto é, perguntar sobre sua história de vida, seus interesses, suas preocupações e seus objetivos não é perda de tempo clínico. Mas um investimento em informações que tornam o diagnóstico mais preciso e o tratamento mais adequado à realidade concreta de cada pessoa.
No momento em que o idoso percebe que o profissional de saúde realmente se importa com ele como pessoa e não apenas com seus resultados de exame, algo fundamental muda na relação terapêutica. A confiança se consolida, a comunicação melhora e a adesão ao tratamento aumenta de formas que têm impacto direto sobre os resultados clínicos obtidos.
Por que a empatia é uma habilidade que pode ser desenvolvida?
A empatia não é uma qualidade inata que se tem ou não se tem: é uma habilidade que pode ser cultivada com consciência e prática. Portanto, profissionais de saúde que desenvolvem sua capacidade empática tornam-se melhores clínicos, pois ouvem mais atentamente, observam com mais cuidado e interpretam os sinais dos pacientes com mais precisão e sensibilidade.
De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão, o contato regular com comunidades vulneráveis, como o proporcionado pelas ações do projeto, é uma das formas mais poderosas de desenvolver empatia genuína. À medida que um profissional de saúde enfrenta realidades muito diferentes das suas, ele é forçado a ampliar sua perspectiva e questionar pressupostos que antes tomava como universais. Esse processo de expansão é transformador e permanente.

As famílias também precisam desenvolver empatia no cuidado ao idoso. Visto que compreender que o envelhecimento traz desafios emocionais profundos, que o idoso pode estar enfrentando medos que nunca expressou e que suas reações têm contexto e história, é o ponto de partida para um cuidado familiar verdadeiramente amoroso e eficaz.
Como o Humaniza Sertão pratica a empatia nas ações comunitárias?
A empatia é visível em cada aspecto da atuação do Humaniza Sertão. A decisão de ir até as comunidades, em vez de esperar que as pessoas se desloquem, é em si mesma um ato empático que reconhece as limitações e os desafios de cada contexto. A escuta que precede cada atendimento, a linguagem adaptada a cada realidade e o respeito pelos saberes locais são expressões práticas da empatia que orienta o projeto.
Conforme aponta o doutor Yuri Silva Portela, a empatia do Humaniza Sertão se manifesta também nas doações realizadas. Afinal, entregar uma cesta básica ou uma fralda com respeito e sem julgamento é um gesto que comunica algo essencial: que a dignidade de quem recebe é reconhecida e valorizada, independentemente de sua condição socioeconômica.
Empatia é o coração de todo cuidado humanizado
A empatia não é um acessório do cuidado ao idoso. É seu coração. Sem ela, os melhores recursos técnicos produzem resultados limitados. Com ela, até os gestos mais simples têm impacto transformador sobre a vida de quem envelhece.
O doutor Yuri Silva Portela reforça que o cuidado empático está ao alcance de todos. Comece observando, escutando e perguntando com interesse genuíno. Esse é o primeiro passo para um cuidado que verdadeiramente transforma.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez